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“A única coisa que eu quero é justiça”, diz irmã de blogueiro assassinado em Junqueiro

Rosineide Farias afirmou durante julgamento que reconheceu o réu dentro do veículo usado no ataque que matou Adriano de Farias

Por Lucas França com Tribuna Hoje 05/10/2026 12h20
“A única coisa que eu quero é justiça”, diz irmã de blogueiro assassinado em Junqueiro
O julgamento começou nesta segunda-feira (5), no Fórum do Barro Duro, em Maceió - Foto: MPAL

“A única coisa que eu quero é justiça.” A declaração foi feita por Rosineide Farias, irmã do blogueiro político Adriano de Farias, durante o primeiro depoimento de uma testemunha de acusação no julgamento de Carlos Henrique Ferreira Santos, de 37 anos. O réu é acusado de participar do assassinato de Adriano, ocorrido na zona rural de Junqueiro, no interior de Alagoas.

O julgamento começou nesta segunda-feira (5), no Fórum do Barro Duro, em Maceió. Rosineide participou da audiência de forma virtual e relatou aos jurados detalhes sobre as circunstâncias que antecederam o crime e as suspeitas da família sobre a motivação do assassinato.

Segundo ela, Adriano utilizava as redes sociais para denunciar problemas e situações que considerava irregulares em Junqueiro. A testemunha afirmou que, por causa das publicações, o blogueiro teria passado a ser alvo de desavenças com integrantes de uma família ligada à política local.

Rosineide também mencionou um episódio envolvendo o trabalho do irmão em uma cerâmica. Conforme o relato, Adriano teria trabalhado no estabelecimento e, após apresentar problemas de saúde relacionados ao esforço físico, procurou ajuda financeira para comprar medicamentos, mas não teria recebido o auxílio solicitado.

“Então, meu irmão foi atrás dos direitos dele e o Valdir disse que a vergonha que eles passaram no Fórum de Penedo não ia ficar assim”, afirmou a testemunha durante o depoimento.

Ainda segundo Rosineide, Adriano já havia sido ameaçado antes do assassinato. Ela, porém, disse não saber informar se o irmão chegou a registrar uma ocorrência policial sobre as ameaças.

Perseguição


A irmã contou que a perseguição teria começado depois que Adriano deixou uma academia dirigindo um Volkswagen Nivus vermelho. De acordo com as investigações, um Jeep Compass teria se aproximado do carro da vítima e os ocupantes efetuado os disparos.

Mesmo baleado, Adriano conseguiu continuar dirigindo por aproximadamente 50 metros. Em seguida, perdeu o controle do veículo e bateu próximo à residência onde morava.

Durante o depoimento, Rosineide afirmou ter reconhecido Carlos Henrique por meio de imagens. Segundo ela, o acusado estava no banco traseiro do Compass utilizado na ação. O motorista, entretanto, não teria sido identificado por ela.

“Só vi esse mesmo que está aí”, declarou a testemunha ao se referir ao réu.

Emocionada, Rosineide falou sobre a relação com o irmão e destacou o impacto da morte para a família.

“Adriano era os pés e as mãos da minha mãe. Todo mundo da cidade ficou revoltado, porque ele era um menino bom, e não digo isso porque ele era meu irmão”, afirmou.

Adriano deixou duas filhas, atualmente com 9 e 11 anos. A irmã relatou ainda que a família continua enfrentando dificuldades emocionais desde o assassinato.

Rosineide também contou que foi responsável pelo reconhecimento do corpo no Instituto Médico Legal (IML), experiência que, segundo ela, foi marcada pelo choque e pela dor.

“Ninguém queira estar na pele da gente, passar o que a gente passou e passa até hoje. Eu que fiz o reconhecimento, fui ao IML, fiquei em choque. A única coisa que eu quero é justiça”, concluiu.